Pode-se considerar o surgimento do MEP como um raro fenômeno de aglutinamento de diferenças, uma característica que o distingue do movimento espírita institucionalizado ou federativo. Ele surgiu de uma conjugação de circunstâncias, iniciativas e aspirações ocorridas nos últimos anos, em vários pontos do Brasil.
O MEP não é uma instituição, é um espaço de convivência, acolhimento e de articulação entre grupos, sociedades, institutos, coletivos, blogs, canais e sítios virtuais com potencial de dar concretude a anteriores tentativas contra hegemônicas havidas no espiritismo brasileiro.
É sabido que o movimento espírita brasileiro se autoproclama religioso sem que isso configure uma unanimidade. Desde seus primeiros passos, no Brasil, vozes reclamam pelo resgate do pensamento kardeciano no MEB.
Em dezembro de 2020, os professores Luiz Signates e João Damásio apresentaram um interessante estudo sob o título CONFIGURAÇÕES DIGITAIS DA CONTRAHEGEMONIA ESPÍRITA: UMA CARTOGRAFIA DOS COLETIVOS PROGRESSISTAS E DE ESQUERDA NO ESPIRITISMO BRASILEIRO (publicado na Revista TROPOS, da Universidade Federal do Acre, v. 10, n. 1, 2021; o link é: https://periodicos.ufac.br/index.php/tropos/article/view/4535) em que identificaram 24 coletivos progressistas, alguns já tradicionais e outros surgidos no clima de polarização que se estabeleceu no País, a partir do golpe que depôs a Presidenta Dilma Roussef e que se acentuou durante o governo Bolsonaro.
Coincidentemente, em setembro desse ano de 2020, a CEPA-Associação Espírita Internacional, então presidida pela Dra. Jacira Jacinto da Silva, criava sua Coordenadoria de Parcerias e Intercâmbio e o seu quadro de Amigos da CEPA, sob a gerência da Dra. Alcione Moreno, logo integrado por várias instituições e coletivos progressistas.
A utilização intensiva das ferramentas digitais propiciou uma rápida expansão dos eventos organizados pelos coletivos progressistas permitindo que lideranças se revelassem nos mais diversos pontos do território nacional, formando uma rede que logo se articulou pela sintonia de pensamentos.
Na live que a CEPABrasil promoveu no dia 17.08.2024, com o filósofo e pensador espírita carioca Márcio Sales Saraiva, em determinado momento, respondendo a uma pergunta de Saulo Albach, o entrevistado respondeu com outra pergunta: – “Por que os espíritas progressistas, em vez de criticarem a institucionalidade conservadora, não desenvolvem outra institucionalidade que seja plural, democrática, horizontal… Já existem vários grupos, coletivos espíritas, presenciais ou virtuais que poderão convocar o primeiro congresso brasileiro do campo espírita progressista para pensar uma outra institucionalidade…”
Salomão Benchaya, do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA) e da CEPA-Associação Espírita Internacional e que, já há algum tempo, buscava essa aproximação entre lideranças progressistas, em 27.08.2024, resolveu auscultar o amigo Luiz Signates sobre o que achava da ideia e dele recebe apoio animador. Não só isso. Signates conversa com o Alexandre Jr. (Ágora), Elias Moraes e Ângela Moraes (Aephus), Fábio André Santos (Abrepaz) e Rafael Von Ludolf (Move) e todos topam aderir. Analisando o assunto, a diretoria da CEPABrasil foi unânime em apoiar a iniciativa. Informado dessas tratativas, o presidente da CEPA, José Arroyo, envia mensagem de apoio ao projeto.
Em 21.09.2024, realiza-se a primeira de uma série de reuniões virtuais com a presença de representantes das instituições Amigas da CEPA convidadas, além de outros coletivos, totalizando 18 representações, em que foram iniciadas as tratativas que culminaram com a criação do MEP, cujo lançamento ao público ocorre em 03.10.2025, já com o número de 24 coletivos.